X Brasil enfrenta nova indisponibilidade após bloqueio judicial

AP Photo/Rick Rycroft
Servidores ‘escudo’ foram desativados e plataforma volta a ser inativa no país
A plataforma X, liderada por Elon Musk, vive mais um capítulo dramático em sua trajetória no Brasil. Após uma determinação judicial, a rede social foi mais uma vez inibida de operar em solo brasileiro, levantando questões urgentes sobre liberdade de expressão e controle digital.
A rede social X, do bilionário Elon Musk, voltou a ficar indisponível no Brasil nesta quinta-feira (19), após o Supremo Tribunal Federal (STF) determinar que a empresa interrompesse o uso de servidores intermediários que tinham possibilitado o acesso à plataforma mesmo sob bloqueio judicial. Essa decisão acendeu um alerta sobre a fragilidade dos direitos digitais em um cenário onde poderes distantes controlam o fluxo de informação.
De acordo com Basílio Rodriguez Perez, conselheiro da Associação Brasileira de Provedores de Internet e Telecomunicações (Abrint), o X “ficou bloqueado” novamente porque, pouco antes das 16h, parou de usar os servidores Cloudflare, que funcionavam como um “escudo” para a rede. Estes servidores atuam como intermediários, permitindo que o acesso não seja bloqueado por operadoras de internet ao manter endereços de IP em constante mudança.
No dia anterior, o X havia sido acessível para alguns brasileiros, uma mudança que a plataforma descreveu como resultado de uma “alteração temporária e involuntária” de servidores. No entanto, essa narrativa começou a ser questionada pela Anatel, que ponderou sobre a “intenção deliberada” da plataforma em burlar a ordem judicial. A polêmica gerou um aviso severo do STF: o ministro Alexandre de Moraes ordenou que a plataforma interrompesse imediatamente quaisquer novos acessos, sob pena de uma multa diária de R$ 5 milhões.
O X está suspenso no país desde o final de agosto por desobedecer ordens judiciais para desligar contas acusadas de disseminar desinformação e por se recusar a reconhecer um representante legal. Enquanto isso, Musk, de forma provocadora, havia afirmado em seu perfil que “a magia, quando é avançada o suficiente, é indistinguível da tecnologia”, uma declaração que foi encarada como uma evidência de sua intenção de desafiar as determinações legais.
Essa situação evidencia a complexa relação entre tecnologia, poder e justiça no Brasil. O caso do X levantará debates sobre os limites da liberdade digital e os direitos dos usuários em um cenário onde as plataformas lutam contra regulações e ordens judiciais. O futuro da comunicação digital no Brasil pede um olhar atento e questionador sobre os interesses que regem as redes sociais.



