Beatriz Matos: A Importância dos Povos Isolados na Proteção da Amazônia e Direitos Indígenas
Beatriz Matos destaca a importância dos povos isolados para a preservação da floresta e biodiversidade na Amazônia

Beatriz Matos, viúva do indigenista Bruno Pereira, defendeu em entrevista à TV Brasil que a sociedade brasileira precisa conhecer melhor o trabalho dos indigenistas. Ela enfatizou a importância dos povos indígenas, especialmente os povos isolados e de recente contato, na proteção da floresta e da biodiversidade brasileira. Bruno Pereira foi assassinado em 5 de junho de 2022, juntamente com o jornalista britânico Dom Phillips, no Vale do Javari, na Amazônia.
Os dois foram vistos pela última vez na manhã do dia 5 de junho de 2022. Seus corpos foram localizados em 15 de junho, após a prisão de pelo menos cinco suspeitos envolvidos no crime.
Beatriz relembra a angústia da família durante os dias de desaparecimento. “Eles ficaram desaparecidos por 10 dias e vivemos momentos de muita insegurança, sem confiança nas autoridades que deveriam estar apoiando as famílias”, relatou.
Como diretora de Povos Indígenas Isolados e de Recente Contato do Ministério dos Povos Indígenas (MPI), Beatriz acredita que a morte de Bruno e Dom marcou um ponto crucial na luta pelos direitos dos povos indígenas e pela preservação do meio ambiente. Com a mudança de governo em 2023, surgiu uma esperança renovada para a proteção dos povos da região e a reparação às famílias das vítimas.
Logo no início do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva, Beatriz foi convidada para trabalhar no MPI, na mesma área em que seu marido atuava. Ela descreve esse período como difícil, mas também de reconstrução familiar e profissional, com a possibilidade de estancar o sucateamento da Fundação Nacional dos Povos Indígenas (Funai) e resgatar o trabalho de Bruno.
Importância dos Povos Isolados
Beatriz enfatiza a importância de esclarecer a ideia equivocada de que os povos isolados nunca tiveram contato com não indígenas. Segundo a antropóloga, esses povos optaram por isolar-se devido a experiências traumáticas, como violência e doenças, e desde o final da década de 1980, o Estado brasileiro tem adotado medidas para respeitar e garantir a segurança dos territórios desses povos.
A política de não contato e de proteção dos territórios indígenas foi reforçada após a redemocratização do Brasil e visa garantir a manutenção das formas de vida dos povos isolados. Beatriz explica que a proteção desses territórios é crucial para a preservação de suas culturas e modos de vida.
Clima e Sustentabilidade
Com as mudanças climáticas cada vez mais críticas, Beatriz destaca a crescente compreensão da sociedade sobre a importância dos povos indígenas na mitigação dos efeitos climáticos e na preservação da biodiversidade. “Mapas de satélite mostram que as terras indígenas são áreas verdes em meio à devastação. Valorizar as culturas indígenas é também cuidar do ambiente e do futuro”, afirmou.
Ela ressaltou que, apesar dos avanços no atual governo, é necessário incrementar o orçamento das pastas relacionadas e valorizar os servidores públicos dessas áreas. “Há uma pressão constante de quem quer explorar a Amazônia, e fortalecer as políticas ambientais e indigenistas é uma luta diária.”
Memória e Legado
Beatriz reforça a importância de lembrar e valorizar o trabalho de Bruno, Dom Phillips, jornalistas, funcionários do Ibama, da Funai, e lideranças indígenas. O jornalista britânico Dom Phillips planejava escrever um livro sobre a Amazônia e se reuniu com Bruno em Atalaia do Norte no início de junho de 2022. Bruno, um indigenista experiente, havia se licenciado da Funai em 2020 e atuava como consultor técnico da União dos Povos Indígenas do Vale do Javari (Univaja).
“É crucial rememorar e divulgar o trabalho de Bruno, dos jornalistas, e de todos que defendem os territórios indígenas. Fortalecer essa memória é essencial para a conscientização sobre a realidade dos povos indígenas”, concluiu Beatriz.



