Seca no Lago Puraquequara em Manaus agrava crise hídrica local

Sabrina Rocha/g1 AM
A grave estiagem no Rio Negro dificulta acesso à água potável e afeta comunidades ribeirinhas
Em meio a uma das piores secas já registradas na região amazônica, a comunidade do Lago Puraquequara, em Manaus, enfrenta um desafio sem precedentes: o acesso à água potável se transforma em um verdadeiro labirinto. A redução drástica no nível da água do Rio Negro, que caiu 6,59 metros somente em setembro, traz à tona questões urgentes sobre sustentabilidade e direitos humanos.
A Região do Lago do Puraquequara, em Manaus, vive um momento crítico. O nível do Rio Negro atingiu números alarmantes, ficando apenas 35 centímetros acima de uma nova marca histórica de seca, enquanto a Prefeitura de Manaus declarou situação de emergência por 180 dias.
Essa situação não é apenas uma crise ambiental; é uma questão que impacta diretamente a vida de pescadores e trabalhadores locais. Sem o acesso à água potável, muitos se veem obrigados a navegar por trechos cada vez mais distantes até a zona urbana de Manaus, onde podem comprar água em galões, tornando-se vítimas de uma realidade imposta pela seca.
Severino Moreira, proprietário de um restaurante em um flutuante, explica que essa solução transitória, embora necessária, não é suficiente a longo prazo. Ele menciona a criação de uma encanação de água temporária, uma abordagem que revela a desesperada busca por soluções práticas dentro de um sistema que falha em oferecer apoio adequado.
A situação é ainda mais crítica para os pescadores, como Idenilson Ramos, que se viram forçados a se adaptar à nova realidade. “Temos que nos virar, seja por doações ou fontes alternativas de água,” afirma ele, destacando a necessidade de solidariedade em tempos de adversidade. O aumento nos preços da água durante a seca, de R$ 5 para R$ 8 por litro, é um reflexo do impacto econômico devastador que a crise hídrica traz para a comunidade.
A expectativa de que o nível do Rio Negro se normalize entre janeiro e fevereiro traz um leve alívio, mas não soluciona os problemas imediatos. Os pescadores enfrentam realidades difíceis, com a previsão de que, em algumas semanas, o cenário possa mudar, mas permanecem preocupados com o impacto contínuo da seca em sua capacidade de trabalho e sobrevivência.
Em tempos de crise, a necessidade de um jornalismo consciente e crítico se torna ainda mais evidente. É fundamental dar visibilidade às vozes que muitas vezes permanecem ocultas nas esferas de decisão. O que vemos em Puraquequara é um chamado à ação para proteger não apenas um recurso invaluable, mas também a dignidade de vidas que dependem da água para prosperar.
A seca no Lago Puraquequara destaca a interconexão entre questões ambientais e sociais, reforçando a necessidade urgente de políticas eficazes que garantam acesso à água e promovam a justiça para as comunidades ribeirinhas. O jornalismo deve continuar a ser uma ferramenta vital para amplificar essas vozes e exigir responsabilidade dos órgãos governamentais.



