Seca devastadora no Amazonas já causa perdas de R$ 620 milhões

Edmar Barros/AP
Cerca de 770 mil pessoas estão sofrendo com a pior estiagem já registrada
A seca de 2024 no Amazonas se revela um fenômeno alarmante, exacerbando não apenas dificuldades econômicas, mas também graves crises sociais. Até agora, os prejuízos ultrapassam R$ 620 milhões, superando os números já sérios de 2023, e promete afetar a vida de milhares de cidadãos.
A seca que assola o Amazonas em 2024 é considerada a mais severa da história, com consequências devastadoras para a economia e a vida dos habitantes. Dados da Defesa Civil, compartilhados com exclusividade à Expedição Amazonas da GloboNews, revelam que os danos registrados até 3 de outubro de 2024 já são superiores aos de 2023, que anteriormente era vista como a mais grave estiagem no estado.
Sem sombra de dúvidas, mais de 770 mil pessoas estão sendo impactadas diretamente por este desastre natural, levando todas as cidades do estado a decretarem situação de emergência. Os prejuízos, que em 2023 somaram cerca de R$ 472 milhões, já atingiram impressionantes R$ 620 milhões e a previsão é que esse cenário possa agravar-se diante da continuidade da seca.
Estudos comparativos feitos pela Defesa Civil consideram fatores hidrológicos, sociais e econômicos. Informações detalhadas fornecidas pelas prefeituras sobre os impactos em áreas como agricultura, comércio, indústria, pecuária e na oferta de serviços essenciais confirmam que os índices deste ano são os mais preocupantes já registrados.
No que diz respeito ao cenário hidrológico, muitos dos principais rios do estado, como os Solimões, Madeira e Negro, estão em níveis alarmantes. Estações fluviométricas em locais como Tabatinga, Fonte Boa e Manacapuru estão registrando novas mínimas históricas. Em Manaus, a situação é crítica, com o Rio Negro alcançando a marca de 12,66 metros, marcando a segunda consecutiva em que a cidade enfrenta a pior seca registrada na sua história.
Cidades como Tabatinga, Coari e Parintins estão passando por secas extremas. Recentemente, em Parintins, o Rio Amazonas registrou níveis de -2,05 metros, o que resulta em desabastecimento e grandes dificuldades para as comunidades locais. A prefeitura de Manaus foi forçada a fechar a famosa praia da Ponta Negra devido ao rebaixamento do nível das águas, enquanto os ribeirinhos enfrentam a escassez de água e mudam seus hábitos diários para buscar suprimentos essenciais.
Embora o governo estadual tenha tentado antecipar ações contra a seca, com o envio de 202,1 toneladas de medicamentos e insumos e a instalação de 36 purificadores de água, é indiscutível que as soluções são urgentes e demandam uma atenção contínua. A assistência humanitária, embora bem-intencionada, ainda é insuficiente para lidar com a magnitude do desastre.
A devastadora seca de 2024 no Amazonas é um chamado à ação, não apenas em resposta ao desespero imediato, mas também para lidarmos com as causas profundas das mudanças climáticas e da falta de infraestrutura. É imperativo unirmos forças para exigir políticas públicas eficazes que protejam as comunidades vulneráveis e a biodiversidade local. O tempo de agir é agora.



