Risco da fumaça das queimadas à saúde exige urgentíssima ação

Marcelo Camargo/Agência Brasil
Expert do Inca destaca a necessidade de prevenir câncer relacionado à poluição do ar
A luta contra as queimadas no Brasil vai além da preservação ambiental; ela se torna uma questão de saúde pública. A epidemiologista Ubirani Otero, do Instituto Nacional de Câncer (Inca), alerta que a fumaça dos incêndios florestais representa um grave perigo para a população, aumentando o risco de câncer nos próximos anos.
Na terça-feira (17), Ubirani Otero conversou com a Agência Brasil e expressou sua preocupação com o cenário atual, definindo-o como “muito preocupante”. Segundo a especialista, a crescente inalação de fumaça dos incêndios pode levar a um aumento significativo dos casos de diferentes tipos de câncer, especialmente aqueles relacionados ao sistema respiratório.
“Se a gente não prevenir essas questões hoje, a gente corre o risco de ter um aumento dos tipos de câncer relacionados ao sistema respiratório em um futuro próximo”, disse Otero. Ela enfatizou que a verdadeira prevenção contra o câncer está na “eliminação da exposição” à fumaça. Quanto mais cedo essa exposição for interrompida, mais eficaz será a prevenção de casos futuros.
A fumaça gerada pelas queimadas é composta por uma variedade de compostos químicos, tornando-a cancerígena. O câncer de pulmão, em particular, é o mais diretamente ligado à inalação prolongada dessa fumaça, que pode levar até 30 anos para ser descoberto. A epidemiologista ressaltou que, devido ao longo período de latência dos cânceres, os efeitos da poluição de hoje só serão percebidos com a identificação de novos casos nas próximas décadas.
O alerta de Ubirani Otero é um chamado à ação. Precisamos urgentemente reduzir as queimadas e, consequentemente, a exposição à fumaça, para proteger a saúde da população. A luta por um ambiente mais saudável é também uma luta pela vida e pela justiça social.



