Pastor é condenado a mais de 80 anos de prisão por abusar de cinco vítimas no interior do Amazonas

Um homem foi condenado a 81 anos, 11 meses e 25 dias de reclusão em regime inicial fechado por crimes sexuais contra cinco vítimas, entre crianças e adolescentes, na cidade de Japurá, distante 780 quilômetros de Manaus. A sentença foi proferida na última terça-feira (22/9) pelo juiz de Direito Fábio Lopes Alfaia, que responde pela Vara Única da Comarca do município.
Segundo o aditamento à denúncia apresentado pelo Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM), os episódios ocorreram em períodos distintos, entre 2013 e 2024. A promotora de Justiça que atuou no caso descreveu a prática de toques de natureza sexual, mediante o aproveitamento de relações de confiança e autoridade em momentos de isolamento das vítimas, além de orientações e intimidações para que os fatos não fossem revelados.
No julgamento, foram reconhecidos os crimes de estupro de vulnerável em relação a quatro vítimas e de importunação sexual em relação a outra. A sentença considerou, ainda, a repetição dos atos nos casos em que ficou comprovada e individualizou as penas relativas a cada vítima.
Com a condenação, o magistrado manteve a prisão preventiva, sem autorização para o réu recorrer em liberdade. Uma mulher, que também havia sido denunciada pelo Ministério Público, foi absolvida por insuficiência de provas de participação nos crimes. A decisão é de primeira instância e está sujeita a recurso.
De acordo com o Boletim de Ocorrência, a mãe de uma vítima de 12 anos relatou que sua filha tinha sido aliciada pelo homem em diversas ocasiões e que ele sempre pedia para que não contasse aos pais. Os abusos ocorreram ao longo de quatro meses.
Uma terceira vítima, já maior de idade, afirmou que, em junho de 2013, o pastor convidou seus pais para deixá-la participar de uma atividade com a família dele em uma comunidade. Os pais concordaram, e a jovem ficou sob a tutela da família do agressor. Segundo o relato, quando não havia energia elétrica, o homem entrava no quarto onde a vítima dormia e a assediava. Ocorreram outras situações, igualmente graves, conforme o depoimento.
A vítima chegou a contar o ocorrido a uma pessoa dessa família, incluindo a tentativa de estupro, mas foi orientada a não mencionar o caso a ninguém.



