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Medida visa contratar usinas para suprir demanda crescente de energia
A escassez hídrica que assola o Brasil tem gerado preocupação e incerteza no setor elétrico. A proposta de um leilão de termelétricas, anunciado pelo governo, surge como uma estratégia para mitigar os efeitos da crises hídricas, com a perspectiva de garantir um suprimento confiável de energia para os próximos anos.
O leilão, que será realizado ainda este ano, tem como objetivo contratar usinas novas ou já existentes para atuar como um verdadeiro ‘seguro’ para o sistema elétrico a partir de 2027. Com a urgência da crise hídrica, o setor elétrico aguarda ansiosamente as diretrizes para este leilão, cuja execução é considerada crucial para atender à demanda crescente de energia, especialmente durante os picos de consumo.
De acordo com Marcelo Cruz Lopes, diretor de Comercialização da Eneva, as termelétricas já em operação poderiam começar a gerar energia antes do previsto para ajudar na atual situação crítica. Lopes destacou que o governo solicitou à Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) a antecipação da entrada em operação da usina Termopernambuco, caracterizada como um projeto de urgência.
A advogada Bruna de Barros Correia ressalta que o leilão se destina, sobretudo, a usinas com contratos que estão se encerrando nos próximos anos, garantindo assim que a energia já existente possa ser utilizada, evitando a construção de novos empreendimentos que demandariam mais tempo.
O presidente da Energia Pecém, Carlos Baldi, vê a medida como uma oportunidade para introduzir usinas a gás natural no leilão, aumentando, assim, a resiliência do sistema. Ele enfatiza a importância dessa estratégia para assegurar o atendimento à demanda em períodos de escassez, já que as usinas termelétricas podem ser acionadas em momentos críticos.
É necessário ressaltar que os leilões de reserva são projetados para aumentar a confiabilidade do sistema elétrico. Bruna Correia explica que isso significa que as usinas contratadas estarão disponíveis para fornecer energia quando o setor enfrentar escassez. Desde 2020, a Empresa de Pesquisa Energética (EPE) tem avaliado a necessidade crescente de incorporar usinas que operem sob reserva, dado o aumento da geração por fontes intermitentes, como a solar e a eólica.
Entretanto, o prazo para que tudo ocorra dentro da regularidade é apertado. A necessidade de realizar um novo leilão é evidente desde 2022, mas o atraso na finalização das diretrizes do leilão levanta preocupações. O ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira, declarou que o leilão ocorrerá em 2024, mas muitos fatores ainda precisam ser resolvidos.
Recentemente, surgiram debates sobre a inclusão de baterias para armazenamento de energia e o papel das hidrelétricas como reservas do sistema. As dúvidas em torno da remuneração das usinas, que devem estar disponíveis mesmo sem gerar energia, trazem incertezas sobre a real viabilidade do plano.
Esse leilão representa um passo significativo na busca por soluções sustentáveis para a crise hídrica que afeta o Brasil. A mobilização de recursos energéticos existentes é crucial, mas o governo precisa agir rapidamente para que as soluções sejam efetivas e realmente atendam às necessidades da população. O tempo é essencial e a transparência nas ações, mais que nunca, será a chave para um futuro mais sustentável.



