
Esalq/USP
Estudo do Cepea revela os fatores que impactam as cotações
O aumento nos preços das carnes de frango e suína no Brasil é um reflexo de múltiplos fatores interligados. Neste artigo, exploramos as raízes dessa elevação, que ultrapassa meramente as questões econômicas e toca no cerne das relações sociais.
Recentemente, o Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea) da USP, localizado em Piracicaba, nos apresenta um cenário preocupante que envolve as carnes de frango e porco. Os preços médios dessas proteínas registraram aumentos consideráveis no início de agosto, um reflexo direto de uma demanda aquecida impulsionada, entre outros fatores, pelo recebimento de salários, o fim das férias escolares e a celebração do Dia dos Pais.
Os números são reveladores: o preço médio do frango resfriado subiu de R$ 7,26 no final de julho para R$ 7,34 em 8 de agosto, resultando em uma variação mensal positiva de 1,10%. Essa escalada nos preços não é apenas um reflexo do consumo, mas também uma consequência do aumento no poder de compra da população.
Além disso, as exportações de carne de frango atingiram 463,6 mil toneladas em julho, um aumento de 6,4% em relação a junho e 7,3% acima do mesmo período do ano passado, marcando um desempenho robusto que sinaliza alguma resiliência no setor.
No mercado suínos, a situação também se destaca. Após um período de baixa, as negociações aqueceram novamente, com a cotação do quilos do suíno vivo variando entre R$ 8,05 em São Paulo e R$ 7,55 em Santa Catarina. A alta consistente durante os últimos três meses ressalta não apenas a evolução dos preços, mas também as dificuldades enfrentadas pelos consumidores ao aceitarem repasses de custos.»
Entretanto, as exportações de carne suína quebraram recordes, com o Brasil enviando 137,1 mil toneladas em julho, um marco significativo que representa uma alta de 29,4% em relação a junho.
Além disso, apesar da alta de preços, os frigoríficos enfrentam dificuldades em adquirir novos estoques, especialmente em um cenário de expectativa de queda brusca de temperatura, o que pode intensificar a pressão no mercado em breve.
Portanto, a alta nos preços das carnes de frango e porco não surge isolada de fatores econômicos, mas é um reflexo das complexas interações entre oferta, demanda e condições sociais. Com a análise mais profunda desses dados, podemos compreender a necessidade de políticas que busquem a equidade no acesso à alimentação saudável, essencial para o fortalecimento de nossa sociedade.



