Crise da pornografia deepfake atinge escolas sul-coreanas

BBC
Vítimas incluem jovens estudantes e a situação gera indignação
A disseminação de pornografia deepfake nas escolas da Coreia do Sul tem gerado um clima de pânico e desamparo entre estudantes, principalmente mulheres, que se tornaram alvos de um esquema horrendo e organizado. A tecnologia, que combina imagens de rostos reais a corpos falsificados em cenas sexuais, utiliza plataformas como o Telegram para se propagar, colocando em risco a integridade e a dignidade de uma nova geração.
No último sábado, uma estudante universitária da Coreia do Sul, identificada como Heejin, recebeu uma mensagem anônima via Telegram que a aterrorizou: “Suas fotos e informações pessoais vazaram. Vamos conversar.” A mensagem continha imagens manipuladas dela, resultantes de técnicas de deepfake, uma tecnologia que tem alimentado um alarmante aumento de conteúdo pornográfico ilegal.
A situação não é isolada: a repórter Ko Narin revelou que mais de 500 escolas e universidades estão envolvidas em uma extensa rede de compartilhamento de imagens e vídeos gerados por inteligência artificial, com grupos específicos se dedicando a transformar fotos de jovens em conteúdos sexualmente explícitos. Este revelador trabalho de investigação destaca como o sistema se tornou um mecanismo sistemático de humilhação para as vítimas.
Infelizmente, muitos dos alvos são adolescentes, com algumas vítimas tendo menos de 16 anos, enquanto seus agressores costumam ser da mesma faixa etária. As consequências psicológicas são devastadoras, com relatos de ansiedade extrema e a necessidade de remover fotos das redes sociais, gerando um ciclo de auto-censura e vulnerabilidade.
A pressão por uma resposta das autoridades tem aumentado, e a polícia da Coreia do Sul anunciou estar considerando investigar a plataforma Telegram, que foi utilizada prominentemente para facilitar esses crimes. O governo também prometeu buscar punições mais severas aos criminosos, enquanto o presidente apelou para a necessidade de uma educação mais eficiente entre os jovens sobre esses riscos.
Mais alarmante é a declaração de ativistas de direitos das mulheres, que argumentam que o governo falhou em controlar esses grupos e que a cultura sexista estrutural da Coreia do Sul permitiu que esses abusos se proliferassem. “Quando se diz que tudo isso é apenas um jogo, estamos alimentando uma cultura de violência e desrespeito contra as mulheres,” afirmou Park Jihyun, uma ativista que se destacou na luta contra a exploração digital.
A crescente onda de pornografia deepfake é apenas outra manifestação de misoginia online, uma expressão de uma sociedade que, por muito tempo, silenciou e marginalizou as vozes femininas. É vital que a sociedade se una para derrubar essas práticas, promovendo um ambiente em que o respeito e a dignidade prevaleçam, e onde o consentimento seja a norma, nunca a exceção.
A crise da pornografia deepfake na Coreia do Sul é um claro reflexo da necessidade urgente de educação, regulação e um entendimento profundo sobre os problemas de gênero que persistem em nossa sociedade. A tecnologia deve ser uma aliada na luta pela justiça, e não um instrumento de opressão e exploração.



