Cloudflare se defende após confusão sobre bloqueio do X no Brasil

AP Photo/Rick Rycroft
CEO da empresa nega interferência em bloqueios e restabelecimento da rede social de Elon Musk.
Em um contexto turbulento de disputas digitais, a Cloudflare, empresa de servidores, está no centro de uma controvérsia envolvendo a rede social X e a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel).
No dia 23 de setembro de 2024, o CEO da Cloudflare, Matthew Prince, deixou claro que sua empresa não colaborou com as autoridades brasileiras para desbloquear ou bloquear a rede social X, de propriedade do bilionário Elon Musk. A confusão surgiu após a Anatel afirmar que recebeu apoio ativo da empresa para garantir o bloqueio da plataforma, o que levou Prince a se manifestar em entrevista à Bloomberg.
Segundo Prince, a Cloudflare apenas firmou um acordo para que o X utilizasse sua infraestrutura, o que resultou em uma alteração no endereço de IP (sigla em inglês para “protocolo de internet”) da rede social. Ele enfatizou: “Não sei do que as autoridades brasileiras estão falando, porque não trabalhamos especificamente com elas para bloquear o X ou tornar o X disponível no Brasil”.
O executivo continuou, esclarecendo que, após a mudança de servidor, o Brasil foi capaz de bloquear o novo endereço de IP da plataforma. “Não houve nada que a Cloudflare tenha feito para facilitar isso. Não houve nada que o X fez para dificultar isso para o Brasil”, afirmou.
Além disso, Prince garantiu que não houve um pedido da rede social para tentar burlá-la. “Não houve nada que o X nos pediu para fazer em termos de eliminar a capacidade do Brasil de bloquear o conteúdo dentro do Brasil”. Essa situação é emblemática do quanto o controle das informações e plataformas digitais está em constante tensão no país.
No dia 18 de setembro, a rede social tinha voltado a funcionar para alguns usuários brasileiros, o que gerou ainda mais perguntas sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia e o impacto de suas decisões nas políticas locais. No entanto, um dia após essa mudança, um ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, determinou que o servidor que funcionava como “escudo” do X não poderia mais ser usado.
Esse episódio ressalta a complexidade da relação entre plataformas digitais e regulamentações locais, além de evidenciar a necessidade de um debate mais profundo sobre a responsabilidade das empresas de tecnologia em contextos onde a liberdade de expressão e o controle da informação estão em jogo. Será que as empresas estão suficientemente conscientes do impacto que suas operações têm na sociedade, ou estão mais preocupadas com lucros do que com a ética?



