
Divulgação/ Bossa Nova Sotheby’s
Dados mostram predominância de casas em meio a imóveis desocupados
No Brasil, a realidade dos imóveis vagos expõe uma profunda desigualdade em nosso acesso à moradia. O recente Censo 2022 traz à luz dados que são um reflexo contundente das nossas prioridades sociais e econômicas.
Os dados recém-divulgados do Censo 2022 mostram que dos 11,4 milhões de imóveis vagos no Brasil, impressionantes 75% são casas. Esta estatística não apenas destaca a predominância das casas, mas também levanta questões sobre as políticas de moradia e a necessidade urgente de repensar nossa abordagem à habitação.
Além disso, os apartamentos representam apenas 18%, enquanto casas de vila ou de condomínio somam 3%, assim como as estruturas residenciais que se encontram permanentemente degradadas ou inacabadas. É fundamental compreender que um imóvel é considerado vago se estiver completamente desocupado na data da coleta, mesmo que tenha sido ocupado posteriormente.
O Censo revela, ainda, que as casas dominam os domicílios de uso ocasional, como imóveis para veraneio ou locação de curta temporada, sendo 78% das propriedades destinadas a este fim. Apenas 17% são apartamentos. Isso altera a visão que temos sobre onde e como as pessoas estão escolhendo viver, trazendo à tona a importância de políticas de habitação que reflitam as necessidades reais da população.
Em apenas 55 municípios, os apartamentos dominam o mercado de imóveis de uso ocasional. Exemplos como Balneário Camboriú (SC) e Santos (SP) ilustram essa tendência, com impressionantes 94,4% e 94,1% de apartamentos, respectivamente. Essas cidades se tornaram sinônimos de verticalização e têm atraído a atenção de investidores e turistas.
O que esses dados nos dizem sobre a desigualdade habitacional no Brasil? Em um país onde a moradia adequada deveria ser um direito universal, continuamos a ver um padrão alarmante de imóveis vagos e subutilizados. Precisamos refletir sobre o quanto esses números revelam sobre nosso compromisso com a justiça social e a garantia de um lar para todos.
Os dados do Censo 2022 são uma chamada à ação. Eles nos mostram a necessidade premente de políticas habitacionais que promovam a ocupação, a sustentabilidade e a inclusão. Cada casa vazia é uma oportunidade perdida para garantir que cada cidadão tenha acesso a um lar digno.



