Atletas da Coreia do Norte excluídos de presente da Samsung nas Olimpíadas

Petros Giannakouris/ AP
Resolução da ONU impede que smartphones sejam enviados a competidores da Coreia do Norte
Os Jogos Olímpicos de Paris 2024, um evento que deveria celebrar a união e a paz entre os povos, revela uma dura realidade política ao excluir os atletas da Coreia do Norte do presente tradicional de smartphones da Samsung.
É inaceitável que em pleno século XXI, a competição esportiva ainda seja marcada por divisões políticas tão profundas. A Samsung, uma das patrocinadoras dos Jogos de Paris, decidiu não fornecer smartphones da marca aos atletas da Coreia do Norte, refletindo as tensões contínuas entre os dois países, que tecnicamente ainda estão em guerra.
Todos os competidores receberão um celular, um modelo especialmente concebido para mais de 10 mil atletas. No entanto, os esportistas norte-coreanos estão excluídos desse gesto de inclusão. O Comitê Olímpico Internacional (COI) informou que distribuir o presente aos atletas da Coreia do Norte violaria uma resolução do Conselho de Segurança da ONU, que proíbe qualquer transferência de maquinaria industrial, incluindo smartphones, entre as duas Coreias.
O Ministério das Relações Exteriores da Coreia do Sul reiterou que a entrega dos dispositivos poderia infringir sanções impostas pela ONU, em resposta ao desenvolvimento de armas nucleares pela Coreia do Norte. Essa decisão segue o recente episódio em que, erroneamente, a Radio Free Asia reportou que os atletas norte-coreanos haviam recebido os aparelhos, o que aumentou ainda mais as tensões entre os países.
Enquanto isso, a imagem de atletas do sul e do norte juntos, celebrando suas conquistas e compartilhando sorrisos, contrasta com a realidade política. Uma foto de medalhistas do tênis de mesa da Coreia do Sul e da Coreia do Norte viralizou nas redes sociais, simbolizando que, apesar das hostilidades, o espírito olímpico de amizade ainda encontra caminho em meio à adversidade.
A história das duas Coreias é marcada por um conflito que começou em 1950 e se arrasta até hoje sem um tratado de paz formal. O que vemos, na verdade, não é apenas uma rivalidade esportiva, mas uma questão complexa que envolve identidades, direitos humanos e uma contínua busca por paz e reconciliação. Recentemente, ambos os países subordinam a diplomacia a uma ‘guerra de balões’, onde episódios de provocações e retaliações refletem o quão polarizados eles permanecem.
Neste contexto de competição esportiva, é lamentável perceber que a política ainda se sobrepõe aos valores humanos elementares de fraternidade e respeito mútuo. O verdadeiro espírito dos Jogos Olímpicos deveria ser a união e a paz, e não a divisão e o confronto.



