Saúde

Rio Grande do Sul Intensifica Medidas para Prevenir Doenças Pós-Enchentes

Estado busca controlar tuberculose e outras doenças após enchentes destruírem medicamentos e desabrigarem milhares.

Rio de Janeiro, 19 de junho de 2024 (Agência Brasil) – O Rio Grande do Sul, recentemente devastado por enchentes, está intensificando seus esforços para prevenir o alastramento de doenças como a tuberculose entre a população afetada. As enchentes, que ocorreram nos últimos 45 dias, destruíram inúmeros medicamentos e desabrigaram milhares de pessoas, aumentando o risco de infecções.

Carla Jarczewski, coordenadora do Programa Estadual de Controle da Tuberculose, destacou a importância do monitoramento nos abrigos. “A aglomeração favorece o contágio. Desde o início das enchentes, estamos ativamente buscando pessoas com sintomas respiratórios, como tosse, suores noturnos, falta de apetite e emagrecimento”, afirmou. Medidas como o uso de máscaras por pessoas sintomáticas foram implementadas para evitar a disseminação da doença.

Além disso, muitos pacientes que estavam em tratamento perderam seus medicamentos devido às enchentes. “Solicitamos a reinstituição da medicação o mais rápido possível para aqueles que perderam seus remédios junto com suas casas”, explicou Carla.

Jarczewski alertou que ainda é cedo para determinar o impacto das enchentes nos casos de tuberculose. “Os números definitivos serão conhecidos no fim do ano, quando consolidarmos os dados no Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan)”, disse ela.

População em Situação de Rua

Os casos de tuberculose entre pessoas em situação de rua têm aumentado desde 2017. Em 2022, foram registrados 250 casos, um aumento em relação aos 188 casos de 2017. “Estas pessoas têm 56 vezes mais chances de contrair tuberculose do que a população geral”, destacou Carla, enfatizando a dificuldade de manter o tratamento completo, que dura no mínimo seis meses.

Medicamentos

Apesar das enchentes, o depósito de medicamentos da Secretaria de Saúde não foi afetado. No entanto, Porto Alegre perdeu muitos medicamentos. “Recebemos um reforço do Ministério da Saúde e redistribuímos os medicamentos para os municípios mais afetados”, informou Carla.

Controle da Tuberculose

A situação epidemiológica da tuberculose no Rio Grande do Sul está sob controle, com aproximadamente cinco mil novos casos por ano, uma taxa de incidência de 42 casos por 100 mil habitantes. No entanto, a taxa de cura é baixa, em torno de 58%, abaixo da meta de 85% estabelecida pelo Ministério da Saúde.

Margareth Dalcolmo, pesquisadora da Fiocruz, ressaltou a complexidade do tratamento da tuberculose em pessoas em situação de rua. “O tratamento é longo e essas pessoas frequentemente abandonam o tratamento. A logística de levar remédios diariamente para elas é um desafio”, explicou.

Transmissão Respiratória

Além da tuberculose, outras doenças de transmissão respiratória e leptospirose são preocupações significativas. “A leptospirose causou algumas mortes no estado. Qualquer sintoma respiratório, como tosse persistente, deve levar as pessoas a procurarem um serviço de saúde para diagnóstico rápido”, finalizou Dalcolmo.

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