Escassez de peixes em Manaus é reflexo da seca severa no Amazonas

Lucas Macedo
Pescadores enfrentam desafios e preços elevados na capital amazonense
A escassez de peixe se torna uma preocupação crescente em Manaus, onde a seca prolongada tem afetado tanto os pescadores quanto os consumidores. A situação está alarmante, e o impacto financeiro é visível nas feiras de peixe da cidade.
A Federação de Pescadores do Amazonas (Fepesca-AM) alertou que a seca severa que afeta o Amazonas pode resultar em uma escassez de peixe nas feiras e mercados de Manaus ainda em 2024. Os efeitos da estiagem já podem ser vistos nas prateleiras e nos bolsos de quem depende do pescado para viver.
Recentemente, na sexta-feira (20), o Rio Negro em Manaus atingiu a marca de 15,08 metros, e em 11 de setembro, a Prefeitura declarou situação de emergência na cidade. A redução drástica dos níveis dos rios torna difícil para muitos pescadores acessar seus pontos de pesca tradicionais, levando a uma potencial queda na oferta de peixe.
Além disso, os custos operacionais aumentaram, uma vez que os pescadores precisam se deslocar para áreas mais remotas e menos acessíveis. O presidente da Fepesca-AM, Walzenir Falcão, enfatiza que as altas temperaturas da água afetam a oxigenação necessária para o bem-estar dos peixes, o que poderá resultar em uma queda na quantidade de pescado desembarcado em Manaus. Essa situação poderia elevar os preços devido à lei da oferta e procura.
Por exemplo, o jaraqui, um dos peixes mais consumidos na região, pode sofrer um aumento de até 40% devido à dificuldade logística atual. Luiz Carvalho, um vendedor da Feira da Manaus Moderna, relata que os custos com o transporte do peixe estão subindo. “Para nós, o que pesa mesmo é a logística, o transporte e o gelo”, enfatiza.
Thiago Queiroz, outro feirante, complementa que a escassez de água e a dificuldade no transporte dos peixes levaram a um aumento significativo dos preços. Antes um peixe de 4 quilos custava R$70, hoje chega a custar até R$80. Célia Amazonas, uma consumidora habitual, está chocada com os preços atuais: “O peixe está mais caro que a carne, é um absurdo. Antes a gente pagava R$10 por seis jaraquis, hoje são R$25 ou R$30”.
A economista Michele Aracaty sugere que a importação de pescado de Rondônia pode ser uma alternativa, mas ressalta que tal medida poderá ter efeitos temporários se a escassez persistir. Além disso, o impacto econômico da seca não se restringe apenas ao pescado, mas afeta toda a produção comercializada ao longo dos rios da região, evidenciando como uma crise ambiental pode reverberar no cotidiano das pessoas.
Assembléias de organizações locais e entidades governamentais já estão se mobilizando para desenvolver estratégias de recuperação dos habitats aquáticos e para melhorar a gestão dos recursos pesqueiros. O Instituto de Desenvolvimento Agropecuário e Florestal Sustentável do Estado do Amazonas (IDAM) está levantando dados sobre as necessidades dos mais de 60 mil pescadores artesanais que enfrentam as consequências da seca, buscando soluções para garantir que possam continuar suas atividades.
Em suma, a crise hídrica que afeta o Amazonas não é apenas uma questão ambiental, mas uma urgente preocupação social e econômica. As comunidades que dependem da pesca estão enfrentando dificuldades significativas, e as soluções exigirão ação coletiva e comprometimento de todos nós. Precisamos urgir por iniciativas que assegurem a proteção dos recursos naturais e a sobrevivência dos meios de vida que giram em torno deles.



