Queimadas no Amazonas superam números alarmantes em agosto

Divulgação/Ibama-AM
Amazônia enfrenta um cenário degradante com aumentos significativos nas queimadas em 2024
A Amazônia está em chamas e as cifras alarmantes divulgadas pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) apenas corroboram essa realidade. Em um período de 20 dias, o Amazonas já superou o número total de queimadas registrado em todo o mês de agosto do ano passado, o que nos leva a refletir sobre o que está em jogo nessa devastação ambiental.
Segundo dados do Programa de BDQueimadas do Inpe, de 1º a 20 de agosto de 2024, o número de queimadas no Amazonas atingiu 5.489 focos de calor, um aumento alarmante de 135% em relação ao mesmo período do ano passado, quando foram contabilizados apenas 2.332.
A situação é tão crítica que 22 dos 62 municípios do estado estão em estado de emergência ambiental, e medidas drásticas já foram adotadas. O governo decretou uma proibição de 180 dias para a prática do fogo e o uso de técnicas de queima controlada. Apesar disso, os incêndios continuam a se espalhar desenfreadamente.
Apuí, na Região Sul do Amazonas, lidera o trágico ranking de queimadas, com incríveis 1.525 registros. A situação é uma clara consequência das práticas predatórias que afetam diretamente a floresta e a vida que nela habita. Os dados também indicam que o Amazonas enfrenta uma das secas mais severas dos últimos anos, impactando aproximadamente 255 mil pessoas.
É perturbador perceber que mesmo com um histórico de restrições, os focos de queimadas estão escalando de forma dramática. Em julho de 2024, registrou-se o maior número de queimadas em 26 anos, com 4.241 ocorrências. Com a má qualidade do ar em Manaus, letal para a saúde pública, a neblina de fumaça se tornou uma companhia indesejada na vida dos moradores.
O impacto dos incêndios não se limita a números — eles trazem consequências palpáveis para a qualidade de vida da população. Durante um período recente, a cidade de Manaus enfrentou um ar considerado “péssimo”, com índices superiores a 125 μm/m³, classificando-se entre os mais elevados do período.
O governo do Amazonas tem trabalhado ativamente no combate às queimadas, com a atuação do Batalhão de Policiamento Ambiental, que se esforça para intervir nas áreas mais afetadas. O tenente-coronel Victor Melo destaca a importância de monitorar e responder rapidamente aos focos de incêndio, enquanto os alertas para a população são intensificados, lembrando a todos da responsabilidade coletiva em prevenir incêndios.
As chamas que consomem a Amazônia não são apenas números em uma tabela. Elas representam a luta desesperada de um ecossistema vital, além do sofrimento de quem depende dessa terra. Com um aumento inquietante de queimadas, precisamos priorizar a preservação ambiental e reconhecer que o futuro da Amazônia está entrelaçado com o nosso próprio futuro. A mudança começa com a informação e a mobilização da sociedade para exigir ações efetivas e urgentes.



