
Rafa Neddermeyer/Agência Brasil
Greve já dura 42 dias e afeta atendimentos a beneficiários
Em um gesto de resistência, os servidores do Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) decidiram manter a greve em busca de melhores condições de trabalho e atenção às suas demandas. O movimento, que já dura 42 dias, destaca a luta por direitos que não podem ser ignorados.
Os servidores do INSS votaram nesta quarta-feira (21) pela rejeição de propostas do governo federal. A Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde, Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps) criticou as propostas do Ministério da Gestão e Inovação, afirmando que não atendem às necessidades da categoria em relação à reestruturação de carreira. “A reorganização da carreira do seguro social, fundamental após a reforma administrativa proposta pelo governo, não está em discussão nas mesas de negociação”, assinalou a Fenasps.
As propostas apresentadas em 9 de agosto incluíam um reajuste salarial e a incorporação de gratificações. No entanto, a Fenasps ressaltou que o aumento oferecido é inferior ao acordado na greve de 2022, que previa 43% de aumento em dois anos, e que não beneficiaria todos os servidores.
A greve começou em 10 de julho e envolve tanto servidores em agências do INSS quanto aqueles responsáveis pela análise de benefícios, como aposentadorias e pensões, que muitos realizam de forma remota. As demandas estão ligadas a um acordo de greve não cumprido pelo governo, incluindo a reestruturação de carreira e a exigência de ensino superior para ingresso na função.
De acordo com o INSS, a paralisação resultou na suspensão do atendimento a 100 mil pessoas nas 1.572 agências do instituto, além de cerca de 4 mil perícias médicas que precisaram ser reagendadas. A fila de espera para o reconhecimento inicial de benefícios cresceu, passando de 1,3 milhão para 1,5 milhão de brasileiros—um aumento de 11%.
Adicionalmente, uma decisão do Superior Tribunal de Justiça (STJ) determinou que 85% dos servidores devem atender os beneficiários durante a greve, sob pena de multas. O Sindicato dos Trabalhadores do Seguro Social e Previdência (SINSSP-BR) denunciou o governo federal à Organização Internacional do Trabalho (OIT), solicitando medidas contra o descumprimento de acordos. Recentemente, servidores ocuparam o prédio do INSS em São Paulo, em protesto contra a falta de negociações por parte do governo.
A continuidade da greve dos servidores do INSS evidencia a insatisfação com o tratamento governamental e a determinação da categoria em lutar por condições justas de trabalho. A situação não só afeta os trabalhadores, mas também milhares de brasileiros que dependem dos serviços do INSS para garantir seus direitos.



