Um olhar crítico sobre os candidatos a prefeito de Manaus

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Análise revela perfis homogêneos entre os postulantes na capital
No contexto das eleições municipais de Manaus, uma análise profunda dos dados de candidaturas divulgados pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) nos apresenta um retrato preocupante: homens, brancos ou pardos, casados e com ensino superior dominam o cenário político. Um alerta sobre a falta de diversidade e representatividade em um momento crucial para nossa democracia.
O recente levantamento feito em 16 de agosto de 2024 mostra que o perfil dos candidatos à prefeitura de Manaus é, em sua essência, homogêneo. Dentre os sete candidatos inscritos, todos são do gênero masculino, o que perpetua a triste realidade de que a cidade ainda não teve uma prefeita em sua história. Essa ausência de representação feminina é um reflexo claro das desigualdades estruturais que ainda persistem em nossa sociedade.
Em termos raciais, a configuração se divide entre brancos e pardos, com destaque para os seguintes candidatos:
- Amom Mandel (Cidadania), Capitão Alberto Neto (PL) e Roberto Cidade (União Brasil) se identificaram como brancos;
- David Almeida (Avante), Marcelo Ramos (PT) e Wilker Barreto (Mobiliza) se declararam pardos;
- O único candidato a se identificar como preto foi Gilberto Vasconcelos (PSTU).
A idade média dos postulantes é de 44 anos, evidenciando uma disparidade que também se reflete nas trajetórias e experiências de vida desses candidatos. O mais velho, Gilberto Vasconcelos, tem 57 anos, enquanto o mais jovem, Amom Mandel, possui apenas 23 anos. Essa diferença de idades levanta questionamentos sobre a inclusão de diferentes perspectivas e experiências nas esferas de decisão.
Outro aspecto a ser destacado é o estado civil dos candidatos. A maioria é casada, mas é preocupante notar a ausência de diversidade familiar, refletindo uma visão conservadora sobre as configurações familiares contemporâneas, em que outras formas de união e solteirice também merecem espaço e respeito.
Todas as candidaturas possuem ensino superior completo, o que, apesar de ser positivo, não deve ser o único critério de qualificação para ocupar cargos públicos. A experiência prática e a empatia devem ser consideradas, especialmente em uma cidade com tantas demandas sociais e desafios a serem enfrentados.
Em relação aos bens, a maioria dos candidatos possui imóveis, e muitos têm aplicações em renda fixa. Isso levanta questões sobre a desconexão entre a elite política e a realidade da população mais vulnerável, que frequentemente enfrenta desafios significativos de moradia e segurança financeira.
A análise do perfil dos candidatos a prefeito de Manaus revela a persistência de um cenário político marcado pela falta de diversidade e representação. É um chamado urgente para que todos nós, enquanto sociedade civil, nos mobilizemos para exigir uma política mais inclusiva e plural, capaz de refletir a rica tapestria de vozes e histórias que compõem a nossa cidade. O futuro de Manaus precisa ser construído coletivamente, com a participação de todos os segmentos da sociedade.



