Níveis preocupantes: Rio Negro despenca em Manaus e acende alarma

Michel Castro, da Rede Amazônica
A descida do Rio Negro e as consequências para a população local estão gerando grande preocupação em Manaus e no Amazonas.
Em agosto, a região amazônica enfrenta um cenário alarmante com a drástica descida do nível do Rio Negro, que hoje chega a 23,87 metros. Este declínio, em média de 10,8 centímetros por dia, não é apenas um número; é um aviso para toda uma população que depende desse recurso vital.
Desde o dia 1º de agosto, o Rio Negro já desceu 1,08 metros em Manaus, segundo dados do Porto da capital. Com a tendência de seca severa prevista para o Amazonas neste ano, as águas do Rio Negro estão abaixo dos níveis registrados no mesmo período de 2023, o que preocupa não apenas as autoridades, mas toda a comunidade.
As implicações dessa seca já são sentidas. O governo do Amazonas declarou situação de emergência em 20 cidades devido à estiagem severa, que vem assolando a região. Em locais como Envira, na fronteira com o Acre, cerca de 11 mil pessoas estão enfrentando dificuldades de abastecimento e aumento nos preços de itens essenciais. A situação é crítica, especialmente para as populações vulneráveis, que são as mais afetadas.
Este fenômeno não é novo; em 2024, o Amazonas pode viver secas semelhantes ou até piores do que as de 2023, quando o Rio Negro alcançou seu nível mais baixo em 120 anos, obrigando escolas a fechar e mudando significativamente a paisagem urbana de Manaus.
A estabilidade das águas teve seu fim no dia 23 de junho, quando uma descida progressiva começou. Somente em agosto, o rio já reduziu seu nível em 108 centímetros. Situações similares são observadas em outras cidades como Itacoatiara, Tabatinga e Coari, que também reportaram descidas significativas de seus cursos d’água.
A Marinha do Brasil já está monitorando as áreas críticas de navegação nos rios, enfrentando desafios diante dos baixos níveis de água. É um chamado à ação para que o problema da seca e suas consequências sejam tratados com a urgência que requer.

O alarmante nível de descida do Rio Negro e a consequente crise hídrica exigem uma resposta coletiva imediata e efetiva. A situação atual é um reflexo das mudanças climáticas que impactam diretamente nossas comunidades, em especial as mais vulneráveis. Devemos urgentemente transformar essa crise em uma oportunidade de mobilização e luta por justiça social e ambiental.



