
Marcos Serra Lima/g1
Resultados desastrosos desencadeiam reflexões sobre a gestão da estatal
A Petrobras, um ícone da economia brasileira, surpreendeu ao divulgar um prejuízo de R$ 2,605 bilhões no segundo trimestre de 2024, marcando um alarmante retorno ao vermelho após um longo período de lucros. O que está por trás dessa reviravolta?
No segundo trimestre de 2024, a Petrobras anunciou uma perda substancial, registrando um prejuízo de R$ 2,605 bilhões, o primeiro resultado negativo desde o terceiro trimestre de 2020. Em contraste, no mesmo período do ano anterior, a companhia havia reportado um lucro de impressionantes R$ 28,782 bilhões. Como não se preocupar com a trajetória dessa gigante?
A nova gestão, agora sob a liderança de Magda Chambriard, herdou um cenário desafiador após a demissão de Jean Paul Prates, agravado pelas tensões sobre o pagamento de dividendos. Chambriard, que assumiu em junho, enfrenta um grande teste à sua capacidade de guiar a estatal em tempos de turbulência.
Os fatores que contribuíram para esse prejuízo são diversos, principalmente a pressão da variação cambial e as consequências da transação tributária — um acordo bilionário com o governo federal destinado a quitar dívidas. A estatal se viu obrigada a encerrar uma série de pendências fiscais que totalizavam R$ 45 bilhões.
Fernando Melgarejo, diretor financeiro da Petrobras, enfatizou que, sem esses eventos extraordinários, o lucro líquido poderia ter alcançado a marca de US$ 5,4 bilhões. O Ebitda, que representa o lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização, seria de US$ 12 bilhões, similar ao trimestre anterior.
Apesar do cenário desolador, a Petrobras manteve vigorosa geração de caixa e anunciou a aprovação do pagamento de R$ 13,57 bilhões em dividendos e juros sobre capital próprio. Os dividendos, equivalentes a R$ 1,05320017 por ação ordinária e preferencial, estão programados para serem pagos em duas parcelas, em novembro e dezembro de 2024, um remédio a curto prazo para mitigar descontentamentos.
O panorama da companhia revelou um Ebitda ajustado de R$ 49,7 bilhões, uma queda de 12,3% em relação ao mesmo período do ano passado. Ao mesmo tempo, a receita de vendas cresceu para R$ 122,3 bilhões, uma alta de 7,4% no ano comparativo e avanço de 3,9% em relação ao primeiro trimestre.
Os investidores devem ficar atentos às datas de corte: para ações na B3, o prazo é 21 de agosto; já para ADRs, é 23 de agosto.
A situação da Petrobras exige um olhar crítico sobre a atuação da gestão e suas decisões em momentos de crise. O que podemos aprender dessa jornada é que um retorno à responsabilidade e transparência se faz necessário para garantir o futuro dessa estatal vital para o Brasil. O papel dos acionistas e da sociedade precisa ser reforçado para assegurar que a estatal não esteja à mercê de interesses particulares, mas sim ao serviço do bem comum.



